Samba da Volta celebra cinco anos fortalecendo a cena do samba no Centro do Rio

O Samba da Volta completa cinco anos consolidado como uma das rodas de samba que conquistaram espaço na cena carioca. Nascido de encontros entre amigos unidos pela paixão pelo samba e pelo carnaval, o projeto transformou uma reunião despretensiosa em um movimento que reúne público fiel, aposta na música autoral e fortalece a ocupação cultural do Centro do Rio. A trajetória é marcada pelo crescimento coletivo e pela construção de uma identidade própria.
Ao longo dessa caminhada, o grupo lançou trabalhos autorais, recebeu artistas admirados e consolidou um ponto de encontro para sambistas e amantes do gênero. Agora, celebrando esse marco, os integrantes relembram a origem do Samba da Volta, falam sobre os desafios enfrentados, os momentos mais marcantes da trajetória e os planos para o futuro em entrevista ao About Carnaval.

O Samba da Volta está completando cinco anos. Conta pra gente como surgiu a roda e de onde veio a ideia de criar esse projeto no centro do Rio?
O Samba da Volta como é hoje surgiu de diferentes conexões e amizades, todas organizadas em torno do samba. O CH conheceu o Osmar frequentando rodas de samba em comum pela cidade, já a amizade com o Eryck surgiu através de um grupo que falava sobre carnaval de escola de samba na internet durante a pandemia. O primeiro encontro surge de uma articulação entre esses três, junto comigo que participava desses mesmos contextos de amizade. O que seria só um encontro de amigos acabou virando algo maior, agregando ainda mais amigos pelo caminho.
O nome “Samba da Volta” tem uma história especial. O que ele representa e qual era o momento que vocês estavam vivendo quando a roda nasceu?
O nome, na verdade, surgiu da música composta por Vinícius e Toquinho e cantada pela Clara Nunes. Na época em que estávamos procurando um nome, o CH ouviu essa música e trouxe a ideia. Os significados acharam a gente depois disso. A ideia de volta da pandemia, o olhar voltado para o passado, tudo foi se encaixando depois e fazendo o nome cada vez mais nosso.
Em cinco anos, o Samba da Volta passou por diferentes momentos e espaços, conquistou um público fiel e se tornou parte da cena do samba carioca. O que vocês consideram que mais mudou desde a primeira edição até hoje?
Acredito que a principal bagagem desses 5 anos seja o aprendizado mesmo. Todos nos tornamos melhores no que fazemos através do trabalho desenvolvido no Samba da Volta. Somos músicos, produtores, criadores e compositores mais completos por conta de tudo o que fomos construindo juntos ao longo desse tempo. No início havia muita vontade de fazer as coisas darem certo, mas hoje temos também uma noção melhor do que estamos fazendo. É assim que administramos nosso próprio evento, recebendo artistas que admiramos e bancando nossos sonhos, como os álbuns lançados.
Existe algum momento, edição ou encontro que vocês consideram especialmente marcante nessa trajetória e que representa bem o que o Samba da Volta se tornou?
Em maio de 2025 dedicamos um evento para celebrar 1 ano de lançamento do nosso projeto autoral, um álbum de 10 faixas escritas e gravadas por nós. Nessa edição tivemos uma resposta muito positiva do público ao nosso trabalho, o que certamente nos trouxe firmeza na convicção do nosso caminho. Gravamos a apresentação ao vivo dessas faixas e esse material será lançado na próxima semana como um novo álbum ao vivo, incluindo sambas inéditos. Por esse motivo, acredito, ele seja um ponto importante entre o nosso passado e nossos próximos passos.
O Samba da Volta tem uma relação muito forte com o centro do Rio e com a ocupação da rua. Qual é a importância de manter o samba presente nesses espaços e de criar um ponto de encontro para o público?
O centro do Rio acaba sendo emblemático para o Samba da Volta porque foi onde nossos primeiros encontros aconteceram e onde nosso samba se estabeleceu mas, para além disso, possuímos um grupo que tem seu ponto de partida enquanto sambista em diferentes lugares da cidade. Esse ponto de encontro que temos com o público se deu, antes de tudo, entre nós mesmos.
A comemoração dos cinco anos aconteceu no dia 25. Como foi celebrar esse marco junto ao público e o que vocês prepararam de especial para essa edição comemorativa?
A gente ficou um tempo debatendo sobre qual seria a melhor forma de comemorar esse dia, sobre como a gente poderia fazer uma edição especial. Acabou que, no fim das contas, a gente chegou à conclusão de que o melhor jeito de passar aniversário é reunindo quem a gente gosta por perto, fazer festa em casa e foi com esse pensamento que fizemos nosso evento. Tivemos a casa cheia de amigos, uma noite bonita e isso basta pra festejar nosso caminho até aqui.
Chegar aos cinco anos é um marco importante para qualquer projeto cultural. Quais são as expectativas de vocês para essa nova fase do Samba da Volta?
O que conquistamos enquanto grupo musical e movimento cultural é uma ideia muito consistente. Pode parecer simplista, mas acredito que nosso principal objetivo é que o nosso projeto sobreviva às intempéries que abalam o samba. Vivemos uma fase em que o samba se encontra em alta, mas isso não acompanha a vida do sambista como um todo. Ainda é difícil negociar e ocupar certos espaços, então acredito que a expectativa é conseguir atravessar essa nova fase com tudo o que é caro pra gente dentro do barco, sem deixar nada para trás.
Olhando para esses cinco anos de história, qual é o maior motivo de orgulho para vocês e o que ainda sonham em construir daqui pra frente?
Complementando a resposta anterior, nosso maior orgulho é a nossa caminhada e a certeza de que chegamos até aqui com o nosso próprio trabalho. “Sem carta marcada, no merecimento”, citando uma de nossas músicas. Nosso sonho é levar nossa música e a bandeira do samba tão longe quanto for possível, no tempo e no espaço, sem nunca perder o motivo desse orgulho que a gente carrega por sermos exatamente como somos.