Plantando Carnaval transforma reciclagem da folia em legado para a Mata Atlântica

O Carnaval do Rio ganhou um legado que ultrapassa os dias de festa. Durante a Semana Mundial do Meio Ambiente, de 1 a 5 de junho, o projeto Plantando Carnaval promove, na próxima terça-feira, dia 2 de junho, uma grande celebração socioambiental que marca o sucesso de uma das mais relevantes iniciativas de economia circular da folia carioca. O projeto realiza uma ação de plantio de 300 mudas nativas da Mata Atlântica na Floresta da Tijuca, de um total de 1000, deixadas como legado desde o encerramento da Festa.
Representantes dos blocos da Liga Amigos do Zé Pereira, da Zello Ambiente, da ReCria Valor, catadores independentes e voluntários da patrocinadora, CAIXA Capitalização, irão prestigiar o ponto alto do projeto, idealizado para ser encerrado justamente durante a Semana do Meio Ambiente. Depois de estruturar coleta seletiva nos 10 grandes blocos cariocas, gerar renda, capacitar catadores o projeto se consolida como um dos principais cases de economia circular da folia brasileira.

Ao todo, a operação de coleta seletiva realizada nos desfiles e ações vinculadas à Liga destinou corretamente 10 toneladas de materiais recicláveis, superando a expectativa inicial de cerca de 8,2 toneladas. O total consolidado inclui 5.438,68 kg de alumínio, 3.138,59 kg de plástico, 1.233,40 kg de papelão, 475,50 kg de vidro, 71,98 kg de ferro e 30,31 kg de material misturado, em uma operação integrada entre Prefeitura, Zello Ambiente, Recria Valor e o projeto.
Idealizado pela organização Vagalume O Verde (VOV), estruturado e realizado pela Zello Ambiente em parceria com a cooperativa Recria Valor, o projeto foi viabilizado pela Lei de Incentivo à Reciclagem e conta com patrocínio da CAIXA Capitalização.
Durante os cortejos dos 10 blocos da Liga Amigos do Zé Pereira, dezenas de catadores atuaram de forma organizada na coleta seletiva de vidro, plástico, PET, alumínio e papel, utilizando triciclos, ecopontos e estrutura de rastreabilidade dos resíduos. A ação fortaleceu a cadeia da reciclagem e ampliou a geração de renda para trabalhadores historicamente invisibilizados no cotidiano da cidade.
Além da coleta seletiva, o projeto também realizou, pelo segundo ano consecutivo, a medição e a compensação da pegada de carbono dos desfiles oficiais da Liga. A Zello Ambiente analisou as emissões ligadas à montagem das estruturas, deslocamentos, consumo de combustível e geração de resíduos, que foram posteriormente compensadas com créditos de carbono certificados oriundos de compostagem realizada no próprio Rio de Janeiro.
Mas o legado do Plantando Carnaval vai além dos dias de desfile.
Após a folia, os catadores participaram de um ciclo de capacitação, incluindo educação financeira, culminando agora, durante a Semana do Meio Ambiente, na ação de plantio das mudas nativas da Mata Atlântica carioca. A iniciativa simboliza a devolução concreta à natureza de parte do impacto gerado pelo Carnaval e reforça o compromisso coletivo com uma cidade mais sustentável.
“O Plantando Carnaval organiza uma operação que valoriza quem sustenta a cadeia da reciclagem. A proposta é dar método, visibilidade e resultado mensurável, conectando catadores, blocos e público em uma iniciativa que deixa um legado para a cidade do Rio de Janeiro”, afirma Miguel Almeida, sócio-diretor da Zello Ambiente.
Para Rodrigo Rezende, presidente da Liga Amigos do Zé Pereira, o projeto representa um novo modelo de Carnaval, mais responsável e conectado às transformações sociais e ambientais da cidade. “Queremos fazer junto, com mais organização e valorização, para que esse trabalho apareça e gere impacto real”, destaca.
Para Nelma Tavares, presidente da CAIXA Capitalização, apoiar iniciativas como o Plantando Carnaval significa investir em transformação social e ambiental concreta. “O Carnaval deve ser celebrado com alegria, mas também com respeito e cuidado com o meio ambiente. Esse projeto vai além da festa, envolvendo as pessoas que fazem o Carnaval acontecer de forma limpa, segura e consciente, valorizando a reciclagem, a preservação dos espaços públicos e o compromisso coletivo com a cidade”, afirma.
A ação do dia 2 de junho consolida o Plantando Carnaval como um dos mais bem-sucedidos projetos de economia circular do Carnaval brasileiro, mostrando que festa, consciência ecológica, inclusão social e legado ambiental podem caminhar juntos.