‘PEÇA PARA OS HOMENS’ estreia em barco no Rio com reflexão sobre violência de gênero

julho 30, 2026

Baseada em fatos reais que amaríamos que fossem ficção, a obra parte de horrores amplamente documentados, entre eles: Arquivos Epstein, Casas Bahia, Processo Pelicot, e outras formas de violência sexual sistemática contra mulheres, para propor uma reflexão sobre masculinidades, responsabilidade coletiva e a urgência da permanência da vida das mulheres.

Em cena, Camila, uma menina de 8 anos, narra sua própria história, contando o dia em que foi levada para uma ilha com homens, muitos homens. O que aconteceu é narrado em detalhes brutais mesmo para quem lê as notícias de todos os dias. A partir da voz de uma criança, a peça constrói uma dramaturgia documental de extrema dureza sem recorrer à espetacularização da dor. A encenação aposta no simples como força e motor de sensibilização.

O corpo da atriz com a palavra, esta é a cena. E é a elaboração da personagem criança que permite à atriz sustentar um texto brutal sem arroubos. A violência emerge do texto dito em voz alta por uma criança, e não da representação do seu sofrimento. “Fazer uma PEÇA PARA OS HOMENS neste momento é meu ato urgente como modo de lidar com todas as notícias de horror contra as mulheres que recebemos todos os dias. Peça para os homens assistirem. Peça para os homens pararem de nos matar. É o que repetimos eu e Camila, a personagem de 8 anos.”, diz Natasha.

A escolha do barco vai além do cenário deslumbrante e é também matéria da dramaturgia. Em movimento sobre as águas cariocas, público e artista compartilham uma travessia arrebatadora, onde a paisagem do Rio de Janeiro é parte de um encontro sensível. “Muito além da denúncia, PEÇA PARA OS HOMENS é um convite. Ao me dirigir aos homens, busco deslocar o debate da lógica do enfrentamento para a da aliança, perguntando quais ações são possíveis agora para imaginarmos futuros baseados em convivência, cuidado e responsabilidade compartilhada.” convida Natasha.

A montagem apresenta ainda uma segunda dramaturgia, criada especialmente para mulheres que queiram estar junto nesse barco, mas prefiram não escutar o texto que traz gatilhos. Nessa versão paralela, uma menina de 8 anos chamada Clara responde, cem anos no futuro, à pergunta feita pela personagem Camila ao final de PEÇA PARA OS HOMENS, como uma homenagem à Gisèle Pelicot, que nos ensina que “a vergonha precisa mudar de lado.” Nesta cena simultânea no barco, enquanto admiram a beleza do mar, as pessoas que quiserem usar seus fones de ouvido, acompanham uma narrativa que imagina as conquistas que teremos tido em 2126, na luta como comunidade pela diminuição da violência contra a mulher.

A criação dá continuidade à pesquisa de Natasha Corbelino em dramaturgias performativas e relacionais, nas quais a obra se inicia antes mesmo do encontro teatral. A dramaturgia de produção do acontecimento e os modos de mobilização do público tornam-se também linguagem artística, ampliando a cena para além do instante da apresentação.  Em um tempo marcado pelo aumento da violência de gênero, PEÇA PARA OS HOMENS é uma ação delicada e contundente, emoldurada pela beleza estonteante do Rio, em que memória, horror, coragem, esperança, imaginação política se encontram sobre as águas da cidade.

 

Direção, texto e atuação: Natasha Corbelino
Produção: Corbelino Cultural e Corpo Rastreado
Realização: Corbelino Cultural

 

Serviço: dias 2,3, 4 e 5 de agosto na Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, S/N, Glória)

Ingressos: R$60,00 valor promocional (limitado), R$75, a meia, incluindo quem mora no RJ e R$150, a inteira. A compra é feita via pix ou cartão de crédito, pelo Instagram da artista @natashacorbelino 

Dia 2, domingo: sessões às 13h e às 15h // Dias 3, 4 e 5, terça, quarta e quinta: às 15h, às 17h e às 19h

Duração prevista: 70 min entre embarque, navegação, parada em mar abrigado e desembarque.

Classificação etária: 18 anos