Festival Clássicos do Brasil: Xande de Pilares emociona com tributo a Caetano e O Grande Encontro faz a Marina da Glória tremer

O festival Clássicos do Brasil celebra a essência da música nacional, reunindo grandes nomes em releituras vibrantes de álbuns que marcaram gerações. Nesta edição, o evento acontece na Marina da Glória em dois finais de semana: dias 11 (sábado), 12 (domingo), 18 (sábado) e 19 (domingo). No sábado do primeiro fim de semana, teve Marcelo D2 tocando A Procura da Batida Perfeita (2003), Cidade Negra com Sobre Todas as Forças (1994), Nação Zumbi com Da Lama ao Caos (1994) e muito mais. Já no domingo, dia em que a AboutCarnaval esteve presente, a convite da Visit Rio, Xande Canta Caetano (2023) emocionou o público e embalou os casais apaixonados. O Grande Encontro, com Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo, tirou o público do chão com muito baião, frevo, forró e outros ritmos típicos do Nordeste.
Passaram ainda pelo festival grandes artistas como Samuel Assis, Cris Vianna e Humberto Carrão. Estivemos acompanhando de perto tudo o que rolou no domingo de feriado (12) e contamos para vocês como foi. Lembrando que o Clássicos do Brasil ainda não acabou: neste fim de semana ainda há grandes atrações, com o sábado (18) dedicado ao rock nacional e o domingo (19) ao reggae nacional. Os ingressos estão disponíveis na Bilheteria Digital, com valores a partir de R$ 130. O festival oferece uma estrutura completa, com praça de alimentação, pontos de hidratação e áreas de descanso.
Segundo dia de Clássicos do Brasil reuniu grandes nomes da música brasileira.
Foto: Taís Aparecida.
A atração principal do domingo, sem dúvidas, foi Xande de Pilares, vencedor do Grammy Latino com o álbum que celebra as músicas do grande cantor da MPB Caetano Veloso. Xande subiu ao palco cantando Muito Romântico, faixa que abre o disco. Com sua voz potente e irreverente, atraiu todos os olhares e trouxe o romantismo para o palco, acalentando os corações apaixonados. Em seguida, apresentou Luz do Sol, segunda faixa do álbum e uma das minhas favoritas, que ouvi com o coração acalentado. Depois veio Qualquer Coisa, gravada com o grande bandolinista Hamilton de Holanda. Eu já ansiava pela quarta música, Tigresa, mas logo no início percebi o arranjo diferente: segundos depois reconheci a letra de Reconvexo, composição de Caetano imortalizada na voz de sua irmã, Maria Bethânia. A mudança no setlist seguiu com Queixa e Trem das Cores. Na sétima canção, meu desejo se realizou ao ouvir Xande cantar Tigresa ao vivo, que, sem dúvidas, foi um momento emocionante.
Xande subiu ao palco para celebrar seu álbum de grandes sucessos do Caetano.
Foto: Taís Aparecida.
Após essa canção, ele seguiu com outras faixas do álbum até fazer uma pausa para conversar com o público e fazer um desabafo tocante. Naquela noite, Xande havia perdido um grande amigo, Marino, que partira naquele 12 de outubro, dia da Padroeira do Brasil e Dia das Crianças. Em homenagem ao amigo, ele dedicou Força Estranha, eternizada na voz de Gal Costa, mas que naquela noite ganhou um novo significado na voz de Xande. Foi impossível não se emocionar. Depois desse momento, o show ganhou novo tom com Desde que o Samba é Samba, seguida de Odara, Lua de São Jorge e Gente, todas presentes no álbum. Para animar ainda mais o público, Xande incluiu Tieta, outro clássico de Caetano, que transformou o público em um grande coro de backing vocals cantando “Êta, êta, êta!”.
Xande subiu ao palco para celebrar seu álbum de grandes sucessos do Caetano.
Foto: Taís Aparecida.
Em seguida, ele anunciou que cantaria agora sucessos de sua própria carreira, trazendo um medley com seus maiores hits: Do Jeito que a Vida Quer, Deixa Acontecer, Coração Radiante e Tá Escrito — músicas eternizadas desde sua fase no Grupo Revelação. Xande ainda interpretou Samba de Arerê, composição marcante eternizada por Beth Carvalho, e, como um bom salgueirense, não deixou de cantar Peguei um Ita no Norte, de Quinho do Salgueiro, clássico das rodas de samba carioca. Assim, encerrou sua apresentação em clima de celebração, mesmo em meio à perda do amigo.
Xande subiu ao palco para celebrar seu álbum de grandes sucessos do Caetano.
Foto: Taís Aparecida.
O Grande Encontro, com Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo, foi o penúltimo show da noite, mas digno de ser o grande headliner da line-up. O trio agitou o público com clássicos e literalmente fez o chão tremer. Alceu abriu o show com o clássico Anunciação. Em seguida, Elba entrou com Caravana, e logo depois Geraldo subiu ao palco para cantar Dona da Minha Cabeça. A dupla emocionou o público com Dia Branco. Depois, os dois cantaram juntos Bicho de Sete Cabeças, e Elba assumiu o protagonismo com uma sequência solo cantando grandes sucessos. Ela iniciou com Ai que Saudade d’ocê e depois dedicou Chão de Giz ao irmão Zé Ramalho e aos 25 anos do Grande Encontro. Para animar ainda mais o público, puxou Festa do Interior e Pagode Russo. Já perto do final, Alceu voltou para cantar La Belle de Jour, Girassol e Morena Tropicana. Para encerrar o espetáculo, os três se reuniram em Táxi Lunar, Banho de Cheiro e Frevo Mulher. Foi um show vibrante, cheio de energia e emoção — com certeza um dos grandes destaques da noite.
Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo se reuniram para cantar seus grandes sucessos no show da turnê O Grande Encontro.
Foto: Taís Aparecida.
Quem abriu o primeiro domingo do Clássicos do Brasil foi Los Sebosos Postizos, banda formada por integrantes da Nação Zumbi que se reúnem nesse “spin-off” para cantar músicas de Jorge Ben Jor. Nesta edição, celebraram o álbum A Tábua da Esmeralda. Cheguei um pouco atrasada, mas ao entrar já tocava Menina Mulher da Pele Preta. Depois, seguiram com mais sete músicas, entre elas Zumbi, Brother e Os Alquimistas Estão Chegando. Um destaque do show foi o desempenho impecável da banda, especialmente da dupla de guitarristas. Lenine também integrou a line-up do dia 12 e apresentou um show intimista, com participação de Suzano, cantando faixas do disco Olho de Peixe.
Los Sebosos Postizos cantaram músicas do álbum A tábua da esmeralda do Jorge Ben Jor.
Foto: Taís Aparecida.
A terceira edição do Clássicos do Brasil se encerra neste final de semana com o dia 18, sábado, dedicado a grandes álbuns do rock nacional e a banda Capital Inicial como headliner. E o domingo (19), será o dia das bandas de reggae nacional com o Edson Gomes como atração principal. Os ingressos estão à venda na Bilheteria Digital com preços a partir de R$ 130. O festival conta com infraestrutura equipada com praça de alimentação, postos de hidratação e locais para descanso.
Lenine cantou músicas do disco Olho de Peixe.
Foto: Taís Aparecida.
Taís Aparecida