Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: Rio tem programação com arte, cultura e mobilização neste fim de semana

julho 24, 2026

Celebrado neste sábado (25), o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reúne ações de celebração, reflexão e mobilização em diferentes países. No Rio de Janeiro, a data será marcada por uma programação que conecta arte, cultura, memória e luta por direitos. Entre os destaques estão o 4º Festival D’Benguela, o Festival Stella do Patrocínio e a 12ª Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro.

Criada em 1992, durante um encontro de mulheres negras realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, a data se tornou um marco internacional de articulação e resistência. No Brasil, o 25 de julho também é dedicado a Tereza de Benguela, liderança quilombola do século XVIII. A programação carioca reúne atividades que celebram o protagonismo negro e reforçam a importância da memória e da mobilização.

Uma data internacional de resistência

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha foi criado em 25 de julho de 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana.

O encontro reuniu mulheres negras de diferentes países para discutir questões relacionadas ao racismo, ao machismo, à desigualdade e às diferentes formas de violência e discriminação enfrentadas por essa população. A partir daquele momento, o 25 de julho passou a ser reconhecido como uma data de articulação política, visibilidade e fortalecimento da luta das mulheres negras latino-americanas e caribenhas.

No Brasil, a data também ganhou um significado próprio. Desde 2014, o país celebra oficialmente o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987. A homenagem é dedicada à líder quilombola que viveu no século XVIII e comandou o Quilombo do Quariterê, na região do atual Mato Grosso.

Símbolo de resistência e liderança, Tereza de Benguela se tornou uma referência histórica para a luta da população negra e, especialmente, para o protagonismo das mulheres negras na construção da história do país.

É nesse contexto de celebração e resistência que o Rio recebe uma programação especial neste fim de semana.

Festival D’Benguela celebra Tereza de Benguela no MUHCAB

No sábado (25), a partir das 12h, o 4º Festival D’Benguela ocupa o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), na Gamboa. Realizado em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela, o festival reúne atividades voltadas à valorização da cultura e do protagonismo negro.

A programação conta com gastronomia, expositores, espaço literário, arte, música preta e espaço para crianças, além da participação da DJ Bieta e de convidadas especiais. O evento acontece na Rua Pedro Ernesto, 80, em uma região que integra a Pequena África, território fundamental para a preservação da memória e da história afro-brasileira no Rio.

Festival Stella do Patrocínio reúne arte, memória e música

Também no sábado, o Festival Stella do Patrocínio promove uma programação dedicada à arte, à memória e à música. O evento acontece a partir das 13h30, no Museu Bispo do Rosário, no Rio de Janeiro, e conta com a participação da cantora Linn da Quebrada. A programação integra as celebrações do 25 de julho e propõe um espaço de encontro entre diferentes expressões artísticas e a valorização das histórias e trajetórias de mulheres negras.

Marcha leva mobilização às ruas de Copacabana

No domingo (26), a programação continua com a 12ª Marcha das Mulheres Negras do RJ. A concentração acontece a partir das 10h, no Posto 2, em Copacabana. Com o tema “Mobilização por democracia, reparação e Bem Viver”, a marcha leva para as ruas pautas relacionadas à luta das mulheres negras e à construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Mais do que uma data comemorativa, o 25 de julho representa um momento de visibilidade, articulação e reivindicação de direitos. No Rio, a programação deste ano traduz diferentes formas de vivenciar essa data: a cultura como ferramenta de expressão, a memória como forma de resistência e a mobilização coletiva como instrumento de transformação.