Da Amazônia para a Lapa: Afroribeirinhos fazem show gratuito hoje (09) no Rio

janeiro 9, 2026

Nascido do encontro entre trajetórias atravessadas pelo Norte do Brasil, o Afroribeirinhos construiu no Rio de Janeiro um projeto musical que transforma a rua em palco e ritual coletivo. Misturando cumbia amazônica, carimbó, ritmos afrocaribenhos e referências nordestinas, o grupo ocupa espaços públicos com uma sonoridade sem fronteiras. Nesta sexta-feira, 9 de janeiro, o coletivo retorna ao Beco dos Carmelitas, na Lapa, local simbólico para sua história. O show acontece às 20h, gratuito e ao vivo na rua. A apresentação marca o início de uma intensa agenda de janeiro do grupo.

Além do encontro de hoje, que contará com a participação de Marcelo Nakamura, o Afroribeirinhos segue com uma sequência de apresentações ao longo do mês. No dia 16, o grupo recebe BNegão no mesmo Beco dos Carmelitas, seguido de show com Juca Culatra no dia 23. A agenda inclui ainda apresentações no Sesc Verão, em São Pedro da Aldeia (24) e Rio das Ostras (25). Encerrando o mês, o projeto retorna ao Beco no dia 30, ao lado do Mandaca.Rio. Uma programação que reafirma a rua como templo e a música como experiência coletiva. Conheça mais sobre o projeto nesta entrevista exclusiva com Alan, um dos integrantes do grupo.

Como e quando surgiu o Afroribeirinhos? Houve algum momento ou necessidade específica que motivou a criação da festa/projeto?

Surgiu em 2018, o Dibob (Matheus) é de Manaus e o Frank também. Eles foram tocar em SP, voz e violão. De lá o Frank ia pra Itália e o Dibob voltaria a Manaus. Nada disso ocorreu, Frank foi deportado e Dibas veio pro RJ, com 50 reais, 1 kg de salsicha e um violão. O resto são histórias e encontros. Aqui estamos.

O som de vocês bebe muito das referências amazônicas. Como nasce essa pesquisa musical e por que trazer essas sonoridades para o contexto do Rio de Janeiro?

Nos somos uma maioria Nortista/Nordestina com alguns cariocas no meio. Somos de Manaus, Belém, Boa Vista (Roraima), Ilhéus – Bahia, Caxias e Tijuca. As ondas de Rádio do Norte são as Caribenhas, então nossa vivência, influência e som são baseados em uma cultura de FRONTEIRA ou melhor, sem fronteiras. Somos brasileiros, afrocaribenhosamazonicos. Por isso essa influência, isso está na nossa alma.

Que artistas, ritmos ou manifestações culturais da Amazônia influenciam diretamente o Afroribeirinhos?

São muitos: Zeca preto, Aldo Sena, Manoel Cordeiro, Los Mirlos, Los Wemblers, Son Rompe Pera e é claro, repente nordestino de uma forma geral. É o nosso MEXIDÃO, misturamos tudo e criamos nosso estilo.

Como essas influências aparecem no set e na experiência da festa?

Nós temos um lema: Abdução, Sedução e Lombra. Esse lema é um guia da experiência.
A gente começa com a Cumbia Amazônica, trazendo o público pra perto, Abduzindo.
Na sequência vem a Sedução, a gente esquenta o clima pro carimbó, e o Dibob mete aquele freestyle nervoso, chama o pessoal pra pegar o paninho com a boca e descer até o chão. Pegada de Nordeste com clima de Norte nas ruas do Rio.
E no final, vem a LOMBRA! Vira banguê, bloco, carnaval! É muita Lombra! A intenção é que o público saia em êxtase, sem entender muito bem oque houve, mas sabendo que querem mais.

Fazer um evento na rua, gratuito e aberto carrega um significado político e cultural. O que esse formato representa para vocês?

A rua é nosso templo sagrado, pois no início de tudo, quase ninguém abriu as portas pra nós. Foi muito difícil e até hoje o nosso tambor sofre preconceito. Sendo assim, NUNCA deixaremos de tocar nas ruas, mesmo quando estivermos em patamares maiores, pois a rua exaltou nosso nome e nós exaltaremos sempre os camelôs, os vulneráveis, os donos de boteco, as donas de cabaré, os garis, as travestis e as entidades que nos deram força para subirmos em palcos gigantes. O beco dos carmelitas foi nossa primeira casa, nosso primeiro show, tudo aconteceu ali na Rua Morais e Vale. É gratidão espiritual.

Qual é a proposta do Afroribeirinhos para quem chega pela primeira vez? Que tipo de experiência vocês querem provocar no público?

Para quem chega pela primeira vez, fica um aviso, a gente é estranho, mas não morde rsrsrs. A gente quer te deixar suado de dançar, mas o nosso papo vai fazer você incluir o Norte do Brasil, definitivamente, no MAPA da sua vida.