Cortejo da Virada vai ocupar as ruas do Rio pelo nono ano após a queima de fogos do Réveillon

Após a queima de fogos do Réveillon, o Cortejo da Virada volta a ocupar as ruas do Rio em sua 9ª edição, transformando a madrugada em festa itinerante. A concentração acontece após a virada, com chegada do público entre 0h30 e 1h, e saída prevista entre 1h30 e 2h. Independente e sem patrocínio, o cortejo se mantém por financiamento coletivo via ChaPix, reforçando a importância da colaboração para garantir a realização musical. O local exato da concentração será divulgado apenas no dia do evento.
Criado de forma espontânea na virada de 2015 para 2016, o Cortejo da Virada nasceu do encontro de músicos após o Réveillon e cresceu até se tornar tradição cultural da cidade. A proposta une Réveillon e Carnaval de Rua em um ritual coletivo: o ano vira, a banda anda, o sol nasce e a cidade acorda em festa. Com repertório diverso e público plural, o cortejo é mantido pela força da colaboração e convida o público a contribuir via ChaPix para fortalecer músicos e a logística do evento. Abaixo confira a entrevista completa com Fabinho Florêncio, produtor, músico, criador e organizador do Cortejo da Virada, contando um pouco a história do Cortejo que já virou tradição na capital carioca, além dos ritmos tocados e muito mais.

Como e quando surgiu o Cortejo da Virada? Qual foi a ideia original de unir Réveillon + folia de Carnaval?
O Cortejo nasceu de forma espontânea, orgânica e completamente despretensiosa.
Tudo começou na virada de 2015 pra 2016, quando um grupo de amigos músicos resolveu se encontrar na praia após a virada, no Arpoador, pra tocar até o nascer do sol. Não havia planejamento, era puro encontro, sintonia e alegria coletiva. Eu senti ali que aquele momento tinha algo maior.
Na virada de 2016 para 2017 o número de músicos cresceu, “ainda informal” e percebi que tocar parados não era suficiente a energia pedia movimento, rua, cortejo. Foi ali que falei pra mim mesmo:”ano que vem isso vai virar cortejo.”
E virou! Na Virada de 2017 pra 2018 fiz o primeiro cortejo oficialmente, ainda apenas com evento no Facebook concentrando com outros músicos, em frente ao Cervantes (Copa), pegando de surpresa a galera que cruzava com a gente na pista. A repercussão cresceu ano após ano, até que viramos tradição.
Depois vieram pausas, “pandemia” mas o retorno foi uma explosão de público, novos desafios e a missão continua sempre independente, sem patrocínio, com força coletiva, fé e resistência cultural. Por isso toda ajuda é bem vida $$$
Estamos indo para o 9º ano, e na virada 2026 pra 2027 completaremos 10 anos de história.
Isso me arrepia só de escrever.
Como é definido o horário de saída e como isso influencia o público?
O horário sempre foi muito natural! Logo após a queima de fogos, quando parte da multidão vai embora e a outra parte quer continuar vivendo a vida e celebrando o ano novo… Foi nessa brecha que o cortejo entra quando a noite ainda tem muita coisa pra rolar e a galera ainda tem energia pra gastar hehehe
Esse timing facilita muita coisa:
・quem acabou de ver os fogos já segue com a gente
・turistas que só vieram pro réveillon conseguem viver o gostinho do carnaval
・moradores e músicos conseguem se organizar ali perto, a pé, sem depender de trânsito
A saída, logo após a queima de fogos, também transforma o cortejo em ritual: o ano vira, a banda anda, o sol nasce e a cidade acorda em festa.
Como funciona a organização, logística e cuidados para segurança?
Organização hoje é feita por mim, Fábio Florêncio, com apoio artístico de amigos em artes/visual e logística colaborativa entre músicos.
A dinâmica é:
・concentração pós-virada na região da Barata Ribeiro/Prado Junior (Cervantes)
・trajeto fluido, evitando vias principais e ambulantes no meio da banda
・deslocamento sempre a pé, com instrumentos próximos das casas de quem mora em Copa
・prioridade total na circulação segura da multidão
O desafio é grande, o evento cresceu! E os órgãos públicos nem sempre colaboram, e sem apoio oficial a gestão da multidão exige pulso e comunicação clara, “que não funciona no dia”.
Já estou até planejando uma estrutura mais formal, com uma possível oficialização no calendário da cidade e sinalização mais forte.
Qual público participa? Existe perfil?
É misto e democrático, exatamente como o Rio é. No cortejo tem:
・Moradores
・Turistas (muitos!)
・Famílias
・Jovens
・Gente que nunca viveu carnaval
・Gente que vive carnaval como religião
Faixa predominante gira entre 25–40 anos, mas aparece de tudo.
O cortejo não é nichado, ele é plural.
Quem chega, se mistura e vive junto.
De que forma o Cortejo dialoga com o Carnaval Carioca? É um esquenta?
Totalmente! Eu estou há 10 anos no carnaval de rua “não oficial”, toco em blocos grandes, produzo meus “bloquinhos”, crio projetos e vivo essa cultura o ano inteiro. O Cortejo da Virada acaba sendo ponte entre o Réveillon e o Carnaval: um prelúdio, uma prévia, uma faísca.
Pra muitos visitantes é a primeira experiência carnavalesca do ano no Rio e muita gente volta depois só pra viver o carnaval completo. O cortejo vira porta de entrada, convite, batismo.
Qual o papel cultural/social do Cortejo para o Rio?
Resistência. Tradição. Experiência gratuita e acessível.
Somos atração independente, sem patrocínio, mas com 9 anos de entrega e afeto. Complementamos a programação oficial do réveillon em Copacabana com arte itinerante, música ao vivo e circulação urbana viva, coisa que só o Rio sabe fazer.
É uma cultura que não precisa de palco, precisa de gente.
E o Rio tem gente, alma, mar e coragem pra viver.
Quais estilos musicais tocam no cortejo?
Eclético, vivo, mutável.
Marchinhas, axé 90, pop, Tim Maia, Lulu, funk, releituras, clássicos populares…
Os músicos base muda a cada ano e isso mantém tudo orgânico. O repertório responde ao clima, ao público, ao céu, à energia.
O Cortejo da Virada está presente em outros núcleos e blocos do Carnaval Carioca?
Sim! O Cortejo da Virada faz parte da cena cultural do Rio e já se tornou uma tradição. Além dele, eu (Fabinho) também atuo em outros núcleos, blocos e projetos dentro do Carnaval Carioca.
Hoje, circulo entre alguns coletivos e grupos musicais como músico independente, o que me permite estar sempre em movimento artisticamente e também fortalecer essa rede que pulsa o Carnaval e a cultura de rua.
Alguns dos núcleos/projetos com os quais tenho relação:
🎺 Céu na Terra – onde atuo tocando;
🎶 Orquestra Voadora – participo de alguns ensaios e vivências musicais;
🔥 Meu projeto autoral e comercial: Só Toca Bloco – que desfila na segunda-feira de Carnaval;
✨ Cortejo da Virada – núcleo principal onde atuo e me desenvolvo como produtor;
💥 Débora Bloco e Tecnobloco – colaborações e conexões dentro da cena.
Quem é Fábio Florêncio?
Eu atuo como músico e produtor independente, construindo minha carreira solo enquanto transito entre outros núcleos e projetos culturais. Acredito muito na força da coletividade, da troca verdadeira e no quanto a música, principalmente no Carnaval, se fortalece quando é vivida junto.
Cada projeto que faço parte expande minha visão, alimenta minha criatividade e, principalmente, me permite fortalecer também quem caminha ao meu lado nessa jornada. Porque não existe música sem gente. Não existe bloco sem troca. Não existe Carnaval sem união.
E é por isso que a colaboração consciente de cada pessoa que chega para somar no Cortejo da Virada faz toda a diferença. Quanto mais a galera ajudando, mais o cortejo cresce, pulsa e abre espaço para todos os músicos e pernalta… Aqui é troca, é construção, é coletivo.
No fim das contas, o Cortejo é isso: um encontro de gente que quer criar, vibrar, tocar, caminhar e fazer a música acontecer.