Jockey Arena Clube recebeu Fagner em noite marcante de clássicos e homenagens

O Jockey Arena Clube foi palco, no último domingo (30), de uma apresentação especial de Fagner — um dos nomes mais simbólicos da música brasileira. Celebrando quase seis décadas de carreira, o cantor cearense encheu o espaço na Gávea e entregou um show de quase duas horas, revisitando sucessos que marcaram sua trajetória e homenageando grandes compositores da MPB. Ao todo, foram 22 músicas que conduziram o público por diferentes momentos de sua história, entre canções próprias, parcerias e releituras emocionantes.
A plateia o recebeu com entusiasmo desde os primeiros acordes de Eternas Ondas, abrindo a noite em clima nostálgico. Em seguida, vieram Quem Me Levará Sou Eu, parceria com Dominguinhos, e Juras Secretas, reafirmando a força do repertório romântico de Fagner. O cantor seguiu com Revelação, preparando o terreno para uma sequência de clássicos que arrebatou o público: Noturno (Coração Alado), e Canteiros, cantada em coro pela arena — uma das mais esperadas da noite. “Espumas ao Vento” e “Fanatismo” mantiveram o público entregue, em um daqueles momentos em que ninguém pensa em olhar para o relógio.

O show avançou também por faixas mais dançantes, com um bloco de forró que levantou a plateia. Deslizes abriu essa fase mais leve e animada, seguida por Lembranças de um Beijo, Último Pau de Arara — emendando em um medley surpreendente com Babylon, de Zeca Baleiro — e Jardim dos Animais. Nesse momento, Fagner parecia ainda mais à vontade no palco, entregando sorrisos, interações e um carinho evidente por sua banda e pelo público carioca.
Um dos pontos altos da noite foi a homenagem a Belchior, seu grande amigo e parceiro de composições. Fagner relembrou um pouco da época em que dividiam sonhos, palcos e incertezas, antes de cantar Mucuripe, parceria dos dois, seguida de Paralelas, escrita por Belchior em 1971 como uma declaração ao Rio de Janeiro. A emoção continuou com Na Hora do Almoço, outra canção do compositor cearense, que fez a plateia acompanhar em uníssono.

Quando Fagner anunciou que estava se despedindo, o público não acreditou, e, na prática, ele ainda estava longe de encerrar a noite. A “saideira” virou uma sequência de cinco, seis… quase dez músicas extras, em um momento divertido e afetuoso do show. Vieram então Pedras que Cantam, Oração de São Francisco, Cartaz, Retrovisor e Um Homem Também Chora, esta última de Gonzaguinha. Para fechar, Fagner escolheu As Rosas Não Falam, clássico absoluto de Cartola, cantado como um acalanto coletivo. Foi um encerramento digno da grandeza do repertório e da história que ele carrega.
Com um público entregue do início ao fim, o show de Fagner no Jockey Arena Clube reafirmou a força atemporal de sua obra — que atravessa gerações, resiste ao tempo e ainda encontra novas maneiras de emocionar. Uma noite para guardar, revisitar e celebrar.