Mulheres Rodadas abre novas oficinas e reforça protagonismo feminino no Carnaval de Rua do Rio

outubro 22, 2025

O Bloco Mulheres Rodadas está com novas turmas abertas para suas oficinas de percussão, sopro e perna de pau, que acontecem às sextas-feiras, das 19h às 21h, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. As atividades seguem até fevereiro de 2026 e contam com módulos voltados a diferentes níveis de experiência, com mensalidades que variam de R$120 a R$260. O grupo também oferece bolsas parciais para alunas com dificuldades financeiras.

Com aulas ministradas por mulheres experientes e um ambiente de acolhimento e aprendizado coletivo, as oficinas reforçam o compromisso do Mulheres Rodadas em ampliar o espaço feminino na música, na dança e nas artes do carnaval. O projeto é também uma forma de manter viva a rede de apoio e formação que o bloco constrói há uma década, inspirando novas gerações de foliãs e artistas. Veja mais detalhes da conversa com as integrantes do Bloco Mulheres Rodadas Renata Rodrigues e Sabrina Bairros.


Crédito das fotos: Andre Sousa

Seria interessante primeiro você começar se apresentando para as outras pessoas te conhecerem melhor. Qual o seu nome e de que forma você atua no Mulheres Rodadas?

Me chamo Renata Rodrigues, tenho 48 anos, sou jornalista. Fundei e coordeno desde 2015 o Mulheres Rodadas. Já inventamos mil ações dentro do projeto. Participamos de diversas campanhas e articulações. Tudo isso tem meu dedo. A parte musical é onde menos me meto na verdade embora também dê os meus palpites.

As professoras de percussão:

Simone Ferreira tem 55 anos e sua experiência com a percussão começou em 2016 com o Timbal. De 2016 a 2019 fez parte de diversos blocos, como Orquestra Voadora, Lambabloco,  Toco Xona e do projeto DiverSons, com o percussionista baiano Bóka Reis. Ainda em 2019 foi timbaleira da Escola de Samba Unidos de Viradouro e assumiu o cargo de monitora do Bloco Mulheres Rodadas no mesmo instrumento. Em 2020 concluiu a formação no Instituto de Educação Musical O Passo. 

Com a chegada da pandemia abriu turmas de percussão online, que viraram um projeto voltado para o estudo de ritmos. No final de 2021 ingressou na formação da Escola de Música Villa Lobos com especialização em percussão popular. Em 2022 entrou para a Escola de percussão da UniRio, focada em leitura rítmica e no mesmo ano assumiu a coordenação de percussão do bloco Mulheres Rodadas onde além da regência também desenvolve os arranjos para a percussão. Em 2024 assumi o naipe de Timbal do Cordão do Me Enterra na Quarta, bloco de carnaval que tem mais de 20 anos de tradição no carnaval de rua carioca. 


Crédito das fotos: Andre Sousa

As professoras de sopro:

Sabrina Bairros é, antes de qualquer outra coisa, foliona. Carioca, começou a tocar saxofone para fazer Carnaval e hoje é Licenciada em Música pela Unirio. Co-fundadora da primeira fanfarra carioca formada só por mulheres, a Damas de Ferro, já participou de diversos blocos como Orquestra Voadora, Céu na Terra, Cordão do Boitatá, Fanfarra Black Clube, entre outros. Atualmente, além de professora das oficinas de teoria musical e prática em conjunto para instrumentos de sopro do Bloco Mulheres Rodadas, é saxofonista do projeto de música infantil Mini Seres do Mar, agitadora de blocos independentes e integrante dos blocos Calcinhas Bélicas, Cordão da Tia Juca e Desculpe o Transtorno.

Gabriela Calafate é uma economista apaixonada por música e carnaval. Já estudou piano, violão, caixa e xequerê, mas, quando conheceu a clarineta na oficina da Orquestra Voadora de 2017, não largou mais. Estuda choro na Escola Portátil de Música desde 2022 e, atualmente, participa dos Blocos Mulheres Rodadas, Cordão da Tia Juca e Calcinhas Bélicas. Hoje soma ao time de professoras na Oficina de prática em conjunto para instrumentos de sopro do Bloco Mulheres Rodadas.


Crédito das fotos: Andre Sousa

As professoras de perna de pau:

Iasmin Patacho é artista multifacetada: atriz, circense, cantora e dançarina.  Seus últimos trabalhos como atriz foram Novela Amor Perfeito – Globo; peça Zona Lésbica CCBB RJ; Marginais Noturnos – projeto escola. 

Ex-campeã estadual por muitos anos. Saída da Ginástica entrou no circo, em 2017, se apaixonou pelas pernas de pau e começou o desenvolvimento com Elisa Caldeira em 2018. 2019 começou a dar aula na Oficina da Rua e desde então trabalha com toda a parte motora e com técnicas de dança em cima das pernas de pau. 

Com técnica de contemporâneo, dança afro, jazz e mais algumas especialidades de acrobacia e hiperflexibilidade, Iasmin tem um movimento aéreo, fluido, mas com bastante potência e super gingado. Vai a frente de alguns blocos de carnaval como criadora de performance e coreografias, levando a junção de ritmos e trabalhando a consciência corporal pra adaptar passos de danças em cima das pernas.

Elisa Caldeira é atriz e multiartista niteroiense que se apaixonou pelo Carnaval de Rua e pelo Circo. Especializada em pernas de pau, e acrobacia em grupo, ministra oficinas e coordena diversos Blocos, além de tocar em vários outros. Entre cortejos, espetáculos e criações autorais, constrói uma pesquisa que une teatro, música, circo e dança.


Crédito das fotos: Andre Sousa

Para apresentar o Bloco Mulheres Rodadas para quem ainda não conhece, como e quando vocês começaram? Quais eram os objetivos e pretensões no início e como vocês enxergam a construção do bloco atualmente e em planos futuros?

Renata: Nós surgimos no final do ano de 2014 por conta de um post da Internet. Havia uma comunidade de jovens cristãos de direita no Facebook e eles fizeram uma montagem com um cara segurando um cartaz onde se lia “eu não mereço mulher rodada”. Nós fomos uma das respostas irônicas que surgiram em resposta a esse post. Mas, no começo, era uma piada. Não era para virar projeto nem nada, na verdade nem bloco. Eu não tocava nenhum instrumento musical além das panelas. Mas desde o primeiro momento em que estivemos nas ruas, com uma repercussão imensa, entendemos que aquela brincadeira ecoava em muitas mulheres. E assim, com a ajuda de muitos amigos, com o talento de muitas pessoas, fomos tocando. Hoje o bloco é liderado e feito 100% por mulheres, o que foi uma construção. Como ocorre com muitos grupos, nosso desafio é o da sustentabilidade. Vivemos na “cidade do carnaval”. Ela não nos dá fomento. Estrutura para ensaiar. Nada. Por enquanto só estamos mesmo na foto da propaganda oficial.

No cenário do carnaval carioca, ainda bastante dominado por homens na percussão, qual você diria que é a principal contribuição do Mulheres Rodadas para dar visibilidade e espaço às mulheres na música?

Renata: Nós somos um grupo que acolhe e ensina mulheres que estão chegando no Carnaval. Essa foi e continua sendo nossa principal contribuição. Mas também ajudamos a formar algumas lideranças que hoje estão por aí, tocando seus projetos.

Sabrina: Não só na percussão, no sopro é mais ainda! Representatividade é importante! Já perdi a conta de quantas pessoas, mulheres principalmente, mas homens também, vieram me dizer que começaram a tocar por terem me visto tocando ou continuaram por incentivo meu. É muito gratificante. 


Crédito das fotos: Andre Sousa

Agora falando das oficinas, elas acontecem desde quando? Como começou e quais são as atividades oferecidas hoje?

Renata: Acho que nossas oficinas começaram no segundo ou terceiro ano do bloco. Elas já mudaram muito. De formato, de local, de proposta. Hoje temos oficinas de percussão e sopro (mas não é voltada para iniciantes). E a oficina pernalta também.

Sabrina: Esse ano começamos com uma proposta nova de incluir teoria nos primeiros meses das oficinas, em formato online. Pros sopros a novidade foi não ter aula de instrumento, e sim uma aula de prática em conjunto, voltada para a interpretação dos arranjos e uma execução mais minuciosa do repertório, apenas para iniciadas. As inscritas nas oficinas presenciais participaram da oficina online sem custo adicional. 

Por sua complexidade, a prática de edição de partituras costuma ser um importante gargalo para grupos de mulheres que atuam no carnaval. Visando preencher essa lacuna e democratizar o acesso à essa informação principalmente para mulheres (cis e trans), pessoas não binárias e homens trans interessadas ampliar o conhecimento teórico musical, o Bloco Mulheres Rodadas ofereceu nos primeiros meses de seu ciclo para o Carnaval de 2026 uma Oficina de edição de partituras em software livre (Musescore) e Introdução a Arranjo. 

Ainda ofertamos a Oficina de Perna de Pau do Bloco Mulheres Rodadas em um módulo avançado para o Carnaval 2026! Este módulo iniciou em outubro e irá até fevereiro de 2026, com as aulas também às sextas, das 19h às 21h, na Fundição Progresso.

É um módulo exclusivo para pernaltas que já possuam autonomia no aparelho.


Crédito das fotos: Andre Sousa

Quais referências servem de inspiração para vocês nas oficinas?

Renata: Acho que as maiores referências são os professores e professoras que tivemos em outros blocos. Algumas de nós buscaram formação universitária na música, ou em escolas de música como a Villa-Lobos ou a Portátil. Não é meu caso. Nunca consegui levar a música muito a sério. Brinco e costumo dizer que eu toco o bloco (o que é verdade). Mas todo mundo que está hoje conosco é bastante experiente. 

Sabrina: Eu fui aluna da primeira turma da oficina da Orquestra Voadora, que meio que começou todo esse movimento de oficinas que vemos hoje. Não posso negar que eles me inspiram. Hoje nós estamos aqui, mas no início precisamos que os homens abrissem esse espaço pra gente. Meu professor particular, Diogo Acosta, foi um grande incentivador da minha prática e sempre reforçou a importância da representatividade feminina no carnaval e na música.  

Para quem deseja ingressar agora, o que os alunos podem esperar das aulas?

Renata: Um ambiente acolhedor, entre mulheres, onde errar não é um problema. 

Sabrina: Profissionais experientes, musicistas e educadoras qualificadas e muita empatia e paciência.


Crédito das fotos: Andre Sousa

 

Qual o período de duração das oficinas?

Renata: Costumam começar em maio e vão até o carnaval.

Sabrina: A oficina de teoria foi até agosto e as de prática vão até as vésperas do Carnaval. 

Já a de perna de pau é oferecida de outubro à fevereiro.

Conte um pouco sobre as professoras das oficinas, como elas ingressaram no projeto?

Renata: Depende bastante. Algumas foram alunas. Outras foram convidadas. Outras trazidas por outras professoras. Mas tem que se identificar com a proposta do bloco. Acho que isso é o mais importante. Já tivemos gente preparada tecnicamente que não entendia a proposta política do grupo. E gente que entendia a função mas não tinha preparo técnico. Hoje acho que estamos num momento ótimo em relação a isso.

Sabrina: Eu participei do primeiro ano do bloco, com a fanfarra Damas de Ferro sendo uma das bandas à frente do repertório e ensaios. Depois que me formei em Licenciatura em Música a Renata me convidou para retornar como professora e estou de volta desde 2022. 

Ao todo são quantas pessoas que fazem o Mulheres Rodadas acontecer? De que maneira elas colaboram?

Renata: Somos umas dez mulheres. Nós fazemos tudo [kkkk] outros projetos parecidos apareceram e desapareceram e nós estamos aí. Mas não é fácil. 


Crédito das fotos: Andre Sousa

Quais são os dias e horários das oficinas?

Renata: Sexta das 19 às 21h na Fundição Progresso que é nossa parceira e apoiadora.

Quais são os valores das oficinas? Os preços mudam a depender da oficina?

Renata: Os valores mudam bastante. A oficina de percussão tem uma mensalidade de R$220,00.

Sabrina: Como estamos experimentando um novo formato este ano, a Oficina de Prática em Conjunto para Sopros está com a mensalidade promocional no valor de R$120,00. Para a oficina de teoria, que já encerrou, foi praticado um valor de R$60,00 na mensalidade. 

Para o módulo completo de perna de pau o investimento é de 5xR$260,00 ou R$1.170,00 à vista. 

Crédito das fotos: Andre Sousa

Há algum tipo de bolsa?

Renata: A gente dá bolsa sim. E inclusive se a pessoa está pagando mas tem qualquer dificuldade, a gente analisa a situação. Mas a oficina é paga porque o espaço que utilizamos é pago e todas que trabalham no projeto recebem uma ajuda de custo. 

Interessados em saber mais sobre as aulas, oficinas e outros projetos, qual é o melhor meio de contato com o Mulheres Rodadas?

Renata: Pelo nosso perfil no Instagram @blocomulheresrodadas