Tropicals ocupa o Centro do Rio com festa gratuita nesta sexta-feira

Com Colaboração de Aran Rotbande
Nesta sexta-feira, 3 de outubro, a dupla de DJs Tropicals leva sua energia para as ruas do Centro do Rio de Janeiro em uma edição especial e gratuita. A festa acontece na Rua Sete de Setembro, 43, das 18h à 1h da manhã, em parceria com a Ocupação Iboru. O encontro promete ocupar o espaço público com música, dança e celebração das “tropicalidades multifacetadas”, conceito que marca o trabalho dos irmãos gêmeos Ian e Igor. É mais que uma festa: é uma experiência cultural aberta a todos.
Criado em 2019, o Tropicals nasceu com a proposta de ocupar espaços de relevância cultural no Rio, sempre valorizando a cena local e apostando em encontros musicais diversos. À frente do projeto, os irmãos gêmeos Ian e Igor contam como transformar a rua em pista é um sonho antigo, um gesto de resistência e de democratização da cultura eletrônica. Entre histórias de bastidores e planos para novas ocupações, eles reforçam: a rua é de todos, e a Tropicals quer estar cada vez mais presente nela. Conversamos com Ian, um dos criadores, que contou mais sobre a trajetória da dupla e os bastidores dessa edição. Confira abaixo a entrevista completa.
Conta para gente um pouco sobre o projeto, como e quando ele nasceu?
A Tropicals ocupa é um conceito antigo da nossa festa. Ela surgiu em meados de 2019, com outro nome, Paradisco Tropicals. Nosso principal objetivo desse braço da festa sempre foi, como o nome diz, ocupar lugares de relevância cultural da cidade e esse ano adotamos o nome para traduzir diretamente nossa intenção. Com ela, conseguimos convidar expoentes do cenário local, trazendo para os espaços um pouco dos diferentes sons e talentos do RJ.
E não tem como não perguntar, como é trabalhar com o irmão gêmeo? Uma delícia ou tem uns desafios? Tem alguma situação engraçada para compartilhar com a gente?
Trabalhar com o meu irmão foi algo curioso. Acho que por dividirmos tudo desde a barriga, na nossa adolescência tentamos seguir caminhos diferentes, onde um escolheu arquitetura e o outro engenharia na faculdade. Ironicamente acabamos em um momento desempregados ao mesmo tempo, e então entramos a fundo na carreira como DJs e nunca mais paramos.
Sempre haverá desafios em trabalhar em dupla, são duas cabeças bem diferentes tentando expressar sua personalidade em forma de arte, de como vemos a música e como queremos ver uma pista. Mas essa ambiguidade, eu acredito que é o que faz nossa sinergia ser tão bem aceita, temos dois moods e pesquisas que se combinam harmonicamente quando estamos no palco.
Como situação engraçada, logicamente sempre podemos mencionar as confusões que ser igual ao outro geram, mas uma que lembro bem foi quando fomos tocar no Rock in Rio e precisamos passar pelo reconhecimento facial na área de check-in de artistas. A máquina só reconhecia o Igor como Ian e não nos liberava de jeito nenhum. Precisamos explicar para toda a equipe, mas nem eles estavam preparados para essa situação. Foi um perrengue chique, mas depois de 15 minutos tudo se resolveu hahaha.

E sobre essa edição no ocupa Iboru, como surgiu essa ideia de fazer a Tropicals 0800?
Fazer uma Tropicals na rua sempre foi um sonho e uma meta. Acreditamos que ocupar a rua é um ato de resistência e de fomentação cultural. Temos conhecimento que muitas vezes os ingressos são mais caros que a capacidade financeira que boa parte da população carioca se encontra, por isso tentar aproximar esse público para conhecer nossa festa é também uma forma de oxigenar a cultura eletrônica. Sabemos as dificuldades de viabilidade um evento na rua e dessa forma sugerimos o projeto junto ao nosso querido amigo e DJ Nepal, cofundador da ocupação Iboru. Prontamente ele se interessou na ideia e organizamos a data, horário e viabilidade.

A ideia é ter mais edições dessa festa na rua e gratuita?
Como Tropicals ocupa temos certeza que seguiremos permeando antigos e novos locais da cidade. Em relação a festas na rua com certeza também temos essa vontade há muitos anos. Procuramos o diálogo com a prefeitura para ocupar praças da cidade, como a praça Paris (nosso sonho desde o dia 1). Vemos a subutilização desses locais e acreditamos que ocupá-las é uma forma de reivindicar nossos espaços públicos a quem eles são de fato destinados. Vemos agora a Feira da Glória enchendo a praça e isso nos deixa emocionados e também esperançosos!
Já que também somos parceiros do Tikal, bora falar do réveillon? O que vocês esperam do réveillon em algodões? Já estamos ansiosos para o set na Bahia!
Conhecemos o Tikal há 10 anos, já trabalhamos juntos e já curtimos em diferentes anos. Temos um grandessíssimo carinho pela equipe e pelo local e por como o projeto cresceu e se tornou. É realmente muito especial voltar e estar no meio de tanta gente boa e som diverso. Nosso som em seu core sempre remete muito à solaridades e queremos traduzir isso nos diferentes formatos que nos apresentaremos. Seja no laguinho com a galera se refrescando, no barco ou numa virada de ano inesquecível! Estamos super ansiosos também por aqui.

E o que esperar do verão 2026? Podemos sonhar com mais tropicals 0800 na rua?
No verão de 2026 estamos projetando mais festas solares em formatos que variam, mas sempre pensando em propostas mais voltada ao público apaixonado pela música. Quando as festas crescem de forma acelerada, é preciso reavaliar para trazer sempre aquela sensação gostosa de estar à vontade, em um ambiente com clubbers realmente devotos e novos ouvintes. Com certeza podemos e devemos sonhar com mais Tropicals nas ruas. Esses projetos vão se intercalar com alguns eventos pagos para garantir uma oxigenação financeira, mas sempre estará em nossos esforços fazer mais e mais ocupações da cidade.
Taís Aparecida