Bloco Tupife mistura som, corpo e rua em uma experiência artística coletiva

julho 4, 2025

Projeto idealizado por artistas de rua e músicos do carnaval carioca oferece formação artística acessível com foco no pífano e nas artes circenses. Módulo atual vai até agosto, com aulas semanais em Copacabana e no Aterro do Flamengo.

As oficinas do Bloco Tupife, conhecido por reunir pífanos, percussões, pernas de pau e performances cênicas no carnaval do Rio, estão com novas turmas abertas para o módulo junino de 2025. Com aulas semanais de pífano às quartas-feiras, às 19h, no Estúdio Gatopan (Copacabana), e de perna de pau aos sábados, às 10h, no Aterro do Flamengo, o projeto propõe uma formação artística prática e coletiva, culminando em um cortejo junino ao fim do trimestre.

Criadas oficialmente em 2023, as oficinas oferecem atualmente turmas de pífano e perna de pau, mas o bloco também conta com integrantes de outros naipes, como zabumba, caixa e instrumentos de sopro. A condução das atividades é feita por artistas ligados ao próprio Tupife, como a multiartista e professora Gabi Falcão, que assina a direção artística do bloco. Nesta entrevista, ela compartilha a trajetória das oficinas, a inspiração do grupo e como participar.

Quem é a Gabi Falcão e de que forma você colabora no Bloco Tupife?
Sou Gabi Falcão, mãe de dois, professora e artista de rua. Trabalho com yoga para crianças em algumas escolas privadas e sou idealizadora do projeto Yoga com caldo de cana, que oferece aulas abertas para adultos em espaços públicos. Também sou professora de perna de pau em blocos do carnaval carioca, além de atuar como performer, pernalta e pirofagista. No bloco Tupife, faço a direção artística, produção executiva, dou aulas de perna de pau e também me apresento como performer.

As oficinas do Tupife já acontecem há alguns anos. Como e quando começaram e quais são as atividades oferecidas hoje?
As oficinas foram pensadas desde os primeiros anos do bloco, mas começaram oficialmente em 2023, no Aterro do Flamengo, com aulas de pífano com Victor, Pepe e David, e perna de pau comigo e com a Thamiris. Antes disso, desde 2018, alguns integrantes como o Renan Paraíso e o Surian dos Santos já ofereciam oficinas de pífano. Muitos alunos daquela época hoje fazem parte do bloco ou o apoiam. Começamos a expandir para turmas de percussão e perna de pau depois de identificar a demanda por aprendizado.

Quais instrumentos fazem parte das oficinas? Só o pífano ou mais algum outro? Quais são os dias e horários?
Neste módulo junino, temos oficinas de pífano às quartas, às 19h, no estúdio Gatopan em Copacabana, e de perna de pau aos sábados, às 10h, no Aterro do Flamengo.

É a única oficina de pífano do Rio? Como surgiu a ideia de um bloco com foco no pífano?
Tem também oficina de pífano no Caramuela, com o David Gonçalves, que também é tupifeiro, mas lá os pífanos são em dó. No Tupife, usamos pífanos em sol. A ideia surgiu em 2017, num momento de efervescência do carnaval alternativo no Rio. O Victor teve a iniciativa e convidou amigos músicos. No primeiro ano, era só música. Em 2018, somamos com o pessoal do circo e da dança. Depois vieram as pernaltas. Hoje somos esse conglomerado artístico.

Quais referências servem de inspiração para vocês?
Musicalmente, nossas maiores referências são os pifeiros do Nordeste, como Zabé da Loca, Edmilson do Pife e João do Pife. Também nos inspiramos no Cordão do Boitatá, na Orquestra Voadora e em blocos de flautas artesanais que existem no mundo todo, principalmente na América Latina.

Para quem deseja ingressar agora, o que os alunos podem esperar das aulas?
Aulas com técnica, repertório junino e construção coletiva. No final do módulo, fazemos um cortejo com a participação de todos os alunos, com direito a temas, movimentações, coreografias e cenas criadas em grupo.

Qual o período de duração das oficinas?
Este módulo vai de junho até o fim de agosto.

Vimos que vocês abriram novas oficinas de pífano e perna de pau. Poderia compartilhar mais informações?
As oficinas são independentes e variam conforme o professor. Neste ciclo, temos as turmas de pífano às quartas, às 19h, no Gatopan, e de perna de pau aos sábados, às 10h, no Aterro. Uma vez por mês, fazemos o Pifenic, que é um momento de integração, confraternização e ensaio entre os diferentes naipes.

Além da oficina que está acontecendo, quais são os outros projetos ao longo do ano para quem tem interesse em participar?
Além dos pífanos, o bloco conta com outros sopros, como bombardino, e percussões, como zabumba, caixa e instrumentos leves: triângulo, pandeiro, agogô e xequerê. Mas neste módulo, estamos com foco apenas no pífano e na perna de pau.

Quais são os valores das oficinas? Os preços mudam a depender da oficina?
A mensalidade é única: R$ 270 por mês ou R$ 770 o trimestre.

Há algum tipo de bolsa?
Sim. Temos bolsas para pessoas negras e/ou em situação de vulnerabilidade social. A cada três inscrições, abrimos uma vaga de bolsa.

Interessados em saber mais sobre as aulas, oficinas e outros projetos, qual é o melhor meio de contato com o Bloco Tupife?
Podem mandar um direct pelo Instagram do bloco (@blocotupife) ou falar diretamente com os professores:
• Pífano – Victor
• Perna de pau – Gabi: (21) 98181-9029

O aluno precisa ter seus próprios instrumentos ou a oficina disponibiliza?
Temos alguns instrumentos para empréstimo durante as aulas, mas o ideal é que cada pessoa tenha o seu próprio.