About nas Eleições: Leonel de Esquerda propõe mais apoio aos trabalhadores ambulantes e à cultura popular e periférica

setembro 23, 2026

Leonel de Esquerda, vereador do Rio em primeiro mandato, é candidato a deputado estadual nas eleições de 2026. Nascido e criado na Abolição, na Zona Norte, ele começou a trabalhar como camelô e construiu sua trajetória no movimento sindical e na comunicação. Ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Rádio e TV do Rio, também atuou na Empresa Brasil de Comunicação. Na Câmara Municipal, sua atuação inclui pautas relacionadas ao trabalho informal, aos ambulantes e à cultura popular. Na entrevista a About, Leonel fala sobre as experiências que influenciam sua atuação política e sobre as propostas que pretende levar à Alerj. Entre os temas estão Carnaval, direito à cidade, cultura periférica, economia solidária e direitos dos trabalhadores.

Para Leonel, o Carnaval é uma das principais expressões do direito à cidade e deve garantir espaço também para quem trabalha nas ruas durante a festa. Ele defende medidas como credenciamento mais democrático para ambulantes, apoio térmico e de saúde e o fim do monopólio de grandes marcas. Na área cultural, propõe fortalecer o Fundo Estadual de Cultura e ampliar o acesso de blocos, rodas de rima e coletivos locais aos recursos públicos. O vereador também fala sobre a descentralização dos investimentos para periferias, subúrbios, Baixada e interior do Estado. Entre as propostas citadas está ainda o fortalecimento da economia solidária por meio de microcrédito e transporte subsidiado para feiras e pequenos produtores. A entrevista aborda também mobilidade, comunicação pública, valorização dos servidores e preservação da memória cultural do Rio.

1. Você nasceu e foi criado na Abolição, na Zona Norte, trabalhou como camelô, estudou no Pedro II, se formou em Administração e construiu uma trajetória ligada ao movimento sindical e à comunicação. Como essas diferentes experiências influenciam as prioridades que você leva para a política?

Essas experiências moldaram minha visão de mundo e minha consciência de classe. Sou um trabalhador que fala para outros trabalhadores, e esse é o norte do meu mandato. Defendo o trabalhador formal E informal, a educação, a saúde e melhores condições de trabalho. É por isso que apoio professores, agentes de educação infantil, o Plano de Cargos e Salários da Saúde e o aumento do vale-refeição. Minha trajetória me ensinou que a política precisa melhorar a vida de quem trabalha.

2. Você foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Rádio e TV do Rio e hoje está no primeiro mandato como vereador. O que a experiência de representar trabalhadores e, depois, atuar dentro do Legislativo municipal te ensinou sobre a relação entre organização popular e política institucional? 

A organização popular precisa se refletir na representação institucional. Precisamos eleger pessoas que estejam comprometidas com os trabalhadores. O parlamento e os sindicatos são espaço de construção em que aprendemos que fazer política exige conversar com quem pensa diferente. A política exige convicção, mas também capacidade de construir pontes.

3. Na sua atuação como vereador, o trabalho informal e a situação dos ambulantes ganharam bastante espaço. Você chegou a presidir uma comissão especial sobre o tema e defendeu a possibilidade de organizar o espaço público sem recorrer à repressão. O que você pretende levar dessa experiência para uma eventual atuação na Alerj? 

Quero ampliar essa experiência e levar a defesa dos trabalhadores informais para minha atuação na Alerj, dando mais visibilidade a essa luta e chamando a atenção da sociedade e do poder público para a realidade dessas pessoas.

4. A gente costuma dizer que o Carnaval é muito mais do que uma festa: ele é uma forma de ocupar a cidade, fortalecer identidades e movimentar a economia. Como você enxerga essa relação entre Carnaval, trabalho e direito à cidade?

O Carnaval é a expressão máxima do direito à cidade porque transforma o espaço público em um território de convivência livre e pertencimento de todos. Tenho um projeto de lei que se relaciona bastante com isso, que estabelece tarifa zero em grandes eventos, como Ano Novo e Carnaval. Precisamos lutar também contra a elitização do Carnaval e garantir que os ambulantes tenham direito a trabalho sem repressão. O direito à cidade deve ser tanto nos desfiles quanto nos blocos de rua.

5. Você apresentou na Câmara um projeto para reconhecer os trabalhadores do comércio ambulante das praias e da orla como patrimônio cultural imaterial do Rio. O que essa proposta diz sobre a relação entre cultura popular, trabalho informal e ocupação dos espaços públicos? 

Esse é um debate que também trata sobre o direito à cidade. O projeto reafirma que a cultura carioca é também moldada pelo trabalho de quem ocupa a orla, unindo os ambulantes ao patrimônio afetivo e econômico da cidade. A Zona Sul e suas praias também pertence a esses trabalhadores.

6. O Carnaval de rua reúne uma enorme quantidade de trabalhadores informais, vendedores, ambulantes, catadores, produtores e pequenos empreendedores. Como o poder público pode garantir que essas pessoas sejam parte da economia gerada pela festa, e não apenas submetidas à fiscalização?

Primeiramente, é preciso reconhecer que esses trabalhadores têm direito ao espaço público e contribuem para a economia da cidade. Isso também passa por dar suporte a essas pessoas. Distribuir kits de saúde com protetor solar e apoio térmico, além de acabar com o monopólio de grandes marcas para dar liberdade de venda e tornar o processo de credenciamento mais democrático também são fundamentais.

7. Muitas manifestações culturais acontecem justamente nas ruas e nos espaços onde também trabalham os ambulantes. Como pensar uma política de ocupação do espaço público que consiga conciliar cultura, trabalho, circulação e direito à cidade?

Defendo uma lógica do planejamento participativo. Isso se faz ouvindo as pessoas, como artistas, ambulantes e moradores para desenhar o uso do espaço. Trago o exemplo dos camelôs e dos movimentos que os representam, que são a favor de uma organização e regularização da categoria.

8. Você também tem atuação na pauta da economia solidária. A Câmara discutiu, em 2026, mudanças no Circuito Carioca de Economia Solidária para ampliar a participação de trabalhadores e expositores e levar as feiras para novos espaços. Como uma política estadual poderia fortalecer iniciativas de economia solidária e pequenos produtores culturais? 

Uma política estadual deve fortalecer a economia solidária liberando microcrédito para a compra de insumos e garantindo transporte subsidiado para conectar as feiras da capital, da Baixada e do interior. Movimentar a economia solidária é movimentar os municípios.

9. A sua trajetória no movimento sindical começou antes da chegada à Câmara. Para um eventual mandato na Alerj, quais são hoje as principais pautas relacionadas aos direitos dos trabalhadores que você considera que precisam avançar no estado?

Lutar por concurso público e pela valorização do servidor. Plano de cargos e salários e recomposição salarial precisam ser uma luta permanente. Os trabalhadores, aposentados e pensionistas do estado foram muito maltratados nos últimos anos. O governo Cláudio Castro investiu quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência no banco Master e isso é muito grave.

10. Você construiu carreira na Empresa Brasil de Comunicação e parte da sua trajetória foi no setor de rádio e televisão. Como você avalia o papel da comunicação pública e dos meios de comunicação comunitários na valorização da cultura produzida nas periferias e nos subúrbios? 

A comunicação pública e os veículos comunitários dão visibilidade direta à pluralidade cultural periférica, oferecendo um espaço que infelizmente não se encontra na grande mídia. Lutar por uma EBC 100% pública é também lutar por tudo isso.

11. A produção cultural do Rio não está concentrada apenas nos grandes equipamentos e eventos: ela acontece nos bairros, nas rodas de samba, nos blocos, nas feiras e em iniciativas comunitárias. Como descentralizar recursos e políticas culturais para que esses territórios tenham condições de produzir e preservar sua própria cultura?

Como presidente da Comissão Especial das Favelas a minha luta é para disputar o orçamento público para que ele chegue nas periferias. Levar orçamento para a periferia e para os subúrbios não é apenas uma pauta cultural: é uma estratégia fundamental de inclusão e de combate à criminalidade, pois oferece oportunidades concretas, valoriza a identidade local e afasta os jovens da vulnerabilidade social.

12. Recentemente, você apresentou uma proposta para reconhecer o Pagode da Tia Doca como patrimônio histórico e cultural de natureza imaterial da cidade. O que iniciativas como essa podem representar para a preservação da memória do samba e para a valorização dos territórios onde essas manifestações nasceram? 

Para além do valor simbólico, o tombamento imaterial cria salvaguardas para proteger esses pontos de cultura contra o apagamento. Isso ajuda a garantir condições para que o espaço continue vivo, atraia investimentos, movimente a economia local e transmita essa herança cultural para as futuras gerações.

13. Pensando na passagem da Câmara Municipal para a Alerj, quais demandas da Zona Norte e de outros subúrbios do Rio você considera que precisam de uma atuação estadual, especialmente nas áreas de cultura, trabalho, mobilidade e infraestrutura?

Na mobilidade, a prioridade é garantir a fiscalização rigorosa do sistema de trens, barcas e metrôs, além dos transportes intermunicipais. O Rio tem a passagem de metrô mais cara do Brasil, e precisamos lutar contra essa realidade. Cláudio Castro foi o primeiro governador a não inaugurar nenhuma nova linha de metrô. Na segurança pública, defendo disputar o jovem com o crime, ampliando as oportunidades e investindo em inteligência. É fundamental aprovar a PEC da Segurança Pública e integrar as polícias.

14. Se eleito deputado estadual, qual seria a primeira proposta que você gostaria de levar para a Alerj relacionada à cultura, ao trabalho e à ocupação democrática dos espaços públicos?

Defendo o fortalecimento do Fundo Estadual de Cultura, assegurando que os investimentos cheguem às rodas de rima, aos blocos e aos coletivos locais, valorizando a cultura como vetor de geração de renda e de prevenção da violência entre a juventude.