Batuquebato: 14 anos de batidas, cultura e formação musical no Rio de Janeiro

junho 9, 2026

Mais do que um bloco de carnaval, o Batuquebato se consolidou como um movimento cultural dedicado ao ensino, à pesquisa e à difusão da percussão. Fundado em 2012 pelo músico Gabriel Policarpo, o projeto reúne escola de ritmos, bloco carnavalesco, orquestra e ações culturais ao longo de todo o ano. Com mais de 1.200 alunos formados em 14 anos de trajetória, a iniciativa oferece aulas semanais na Fundição Progresso, na Lapa, para pessoas de todos os níveis de experiência.

As oficinas acontecem às terças-feiras e contemplam instrumentos como tamborim, caixa, repique, timbal, surdo, chocalho e ganzá, com mensalidades a partir de R$ 250. O curso acompanha o calendário carnavalesco, com atividades de maio até o carnaval, além de workshops e eventos voltados à integração da comunidade. O Batuquebato também disponibiliza vagas de bolsa analisadas caso a caso e mantém inscrições abertas para quem deseja mergulhar em ritmos brasileiros e referências percussivas de diferentes partes do mundo.

 

O Batuquebato nasce de uma pesquisa musical muito forte. Como surgiu essa ideia de misturar tantos ritmos diferentes dentro de um bloco de carnaval?

Tudo começou com uma pergunta simples e ao mesmo tempo enorme: o que mais existe além do que a gente já conhece? Em 2012, o Gabriel Policarpo fundou o Batuquebato com essa inquietação no peito (e na mente!) — e ela nunca foi embora. O carnaval foi a porta de entrada, a festa que coloca todo mundo na rua e faz o coração acelerar. Mas desde o primeiro dia, a alma do projeto foi muito maior do que um desfile.

Hoje o Batuquebato é uma comunidade, um ecossistema musical completo. Somos uma Escola de Ritmos com métodos e professores especialistas. Somos a ORB — Orquestra de Ritmos, grupo de alta performance com mais de 30 músicos entre alunos e professores. Somos um Bloco de Carnaval que desfila no Rio desde 2013. Somos um Bloco Show para eventos corporativos e particulares. Somos, acima de tudo, um movimento cultural — feito de pesquisa, ritmo, diversidade e muita paixão pelo que fazemos.


O projeto vai além do carnaval e funciona quase como uma escola de percussão. Como vocês definem o Batuquebato hoje: bloco, coletivo ou movimento cultural?

O Batuquebato é um movimento cultural. Um ecossistema vivo, feito de muitas frentes que se alimentam entre si. Somos uma Escola de Ritmos com método sério e ambiente completamente acolhedor. E somos, principalmente, uma comunidade — de alunos, professores, músicos e apaixonados por ritmo que acreditam que a percussão transforma.

Vocês trabalham com ritmos como ijexá, maculelê e samba reggae, certo? Como acontece esse processo de construção sonora do bloco?

Sim, trabalhamos com Ijexá, Maculelê, Samba Reggae — e muito mais! Frevo, Merengue, Cabula, levadas brasileiras e internacionais, além de criações completamente autorais como o “Árabe”, “Café com Pêssego” e outras composições que nasceram aqui dentro e já viraram paixão da nossa comunidade como o grande orgulho do BQB é o “Batalhão 1 e 2” — arranjos criados por nós que têm uma energia absurda e emocionam quem toca e quem ouve.

O processo de construção sonora começa sempre pela pesquisa — o Gabriel traz referências do que estudou no Brasil e no mundo, os professores aprofundam com os alunos em cada naipe, e o resultado vai sendo construído coletivamente nos ensaios. A gente não reproduz fórmulas prontas. A gente cria. E essa é uma das coisas que mais nos orgulha.


As composições autorais têm um papel importante na bateria. Como nasce uma música dentro do Batuquebato?

A música no BQB nasce em coletivo — e isso é uma das coisas que mais nos define. O nosso mestre regente e fundador, Gabriel, traz referências das suas pesquisas pelo mundo, os professores chegam com as suas vivências nas escolas de samba, nos palcos, nas comunidades onde cresceram. Essa troca acontece o tempo todo, dentro e fora dos ensaios.

Um arranjo pode começar numa ideia do Gabriel numa viagem à África, ganhar uma virada criada por um professor no naipe do surdo, e ser finalizado com uma dinâmica que surgiu numa terça-feira qualquer quando a sala inteira entrou no mesmo groove sem combinar. O Batalhão 1 e 2, o Café com Pêssego e tantas outras composições autorais não foram planejadas em uma mesa — foram sentidas antes de serem escritas, e construídas em equipe. É assim que o BQB cria: com muitas mãos, muitas histórias e um amor compartilhado pelo ritmo.

Agora falando mais das oficinas, elas acontecem desde quando? Como começou e quais são as atividades oferecidas hoje?

Desde o início — o Batuquebato já nasceu como escola, em 2012, com a missão de ensinar percussão de verdade para qualquer pessoa. O curso vai de maio ao carnaval, acompanhando o ciclo natural do ritmo brasileiro — a gente começa junto, cresce junto, e culmina na maior festa do mundo.

Ao longo desse período, os alunos têm aulas toda terça-feira, acesso a Playlist de videoaulas por instrumento e ritmo para estudar em casa, e em 2026 estamos investindo muito em eventos internos — tanto sociais quanto workshops focados no aprendizado e na construção de comunidade. Para quem evolui, a ORB (Orquestra de Ritmos Batuquebato) é uma possibilidade real e inspiradora — a prova de que o que começa na escola pode chegar a palcos de verdade. Em 14 anos, já foram mais de 1.200 alunos formados. Cada um com a sua história, cada um com o seu ritmo.

Quais referências servem de inspiração para vocês nas oficinas?

A inspiração vem do mundo — literalmente. O BQB é um projeto profundamente enraizado na cultura dos tambores ao redor do planeta: nas formas de expressão, nas crenças, nos costumes, nas celebrações de cada povo. Nosso regente e mestre viaja em busca disso — Tanzânia, Moçambique, Senegal, e muitos outros lugares — estudando como cada cultura se relaciona com o ritmo, o que ele representa, como é transmitido de geração em geração.

Essas vivências chegam até a sala de aula de forma viva e concreta. Ao lado disso, nossos professores trazem suas próprias bagagens riquíssimas — das escolas de samba, dos palcos, das comunidades onde cresceram e aprenderam. A soma de tudo isso é o que torna cada aula do BQB única: um encontro entre o Rio de Janeiro e o mundo, mediado pelo tambor.

Para quem deseja ingressar agora, o que os alunos podem esperar das aulas?

Podem esperar ser recebidos de braços abertos e com toda a atenção que merecem. O BQB às vezes tem fama de ser difícil — e a gente adora mostrar que esse mito não cola. Somos sérios no ensino, sim. Mas somos completamente acolhedores no ambiente. Cada professor é preparado para receber o aluno do absoluto zero — com didática cuidadosa, paciência genuína e muita paixão pelo que ensina. Ninguém precisa saber nada para começar. Ninguém vai se sentir perdido ou julgado.

Além do aprendizado musical, o BQB é um espaço de socialização — uma comunidade de pessoas que se encontram toda terça-feira movidas pelo mesmo amor ao ritmo. Em 2026 estamos investindo ainda mais nisso: eventos internos, workshops, momentos de troca que vão além da aula. Porque acreditamos que aprender percussão é também aprender a se conectar com outras pessoas. E poucas coisas unem mais do que tocar junto.

Qual o período de duração das oficinas?

O curso vai de maio ao carnaval — acompanhando o ciclo mais bonito do ritmo brasileiro. A gente começa junto no início do ano letivo e cresce ao longo de meses até chegar na maior festa do mundo. As inscrições estão abertas agora, com ainda algumas vagas disponíveis.

Atenção: tamborim e surdo de terceira já estão esgotados — quem quiser garantir seu lugar nos outros instrumentos, é melhor não esperar!

Você tem alguma história legal da oficina para compartilhar com a gente?

A história que mais nos enche de orgulho — e que conta tudo sobre o que somos — é o surgimento da ORB, a Orquestra de Ritmos do Batuquebato. Ela não foi planejada numa reunião. Ela nasceu dentro da escola, do amadurecimento coletivo dos alunos, da energia que foi crescendo terça após terça até transbordar os limites de uma sala de aula e pedir palco.

E com a ORB veio uma das nossas práticas mais apaixonantes: os enredos anuais. Cada ano, a gente mergulha de corpo e alma num universo da cultura brasileira — e esse mergulho transforma tudo: o repertório, os arranjos, os figurinos, a energia dos ensaios, a forma como cada músico se relaciona com o instrumento. Não é decoração. É pesquisa viva.

Nos últimos anos vivemos experiências inesquecíveis. Homenageamos Martinho da Vila com uma Quizomba que fez a sala tremer. Nos perdemos — da melhor forma possível — nas raízes do Jongo, ritmo ancestral que carrega séculos de história e resistência. Mergulhamos no sagrado com Ciata de Oxum, uma viagem pela espiritualidade e pela musicalidade afro-brasileira que poucos espaços têm coragem de explorar com tanto respeito. Resgatamos o Baile da Antiga, celebrando o funk raiz carioca com toda a sua ginga e identidade de rua. E reverenciamos o genial Jackson do Pandeiro, um dos maiores ritmistas que o Brasil já produziu, com a alegria e a irreverência que ele merecia.

Cada enredo é um presente que damos para os nossos alunos — e para a cidade. Porque no BQB, tocar não é só bater num instrumento. É entender de onde vem o ritmo, quem o criou, o que ele carrega. É se conectar com a cultura brasileira de uma forma que vai muito além do carnaval. E é isso que faz de cada temporada uma experiência única, irrepetível e absolutamente nossa.

Conte um pouco sobre os(as) professores(as) das oficinas, como eles(as) ingressaram no projeto?

Nossos professores são o coração do BQB — e cada um deles tem uma história que honra o que fazemos. São mestres e diretores de escolas de samba do Rio de Janeiro, com décadas de vivência na percussão brasileira, cada um especialista no seu instrumento (ou vários). Tamborim, chocalho, ganzá, surdo, repique, caixa, timbal — cada naipe tem alguém que conhece aquele instrumento de dentro pra fora.

Muitos chegaram ao BQB exatamente como chegam nossos alunos: pelo amor ao ritmo. Alguns, como o Vitor e a Maira, começaram como alunos e cresceram até virar professores. Isso diz muito sobre quem somos: um lugar onde o aprendizado não tem teto.

Ao todo são quantas pessoas que fazem o Batuquebato acontecer? De que maneira elas colaboram?

Somos um time de 12 colaboradores — professores, regentes, produção, marketing e eventos, os carinhosamente chamados Guardiões de Tambores, o pessoal do Batuquebar e da nossa lojinha, a BoutiqueBato. Cada pessoa carrega uma parte do que faz o BQB vibrar — e todas acreditam no mesmo projeto.

Fora isso, existe uma comunidade de alunos ativos e ex-alunos que são, na prática, nossos maiores embaixadores. E a ORB, com seus mais de 30 músicos, que transforma tudo que construímos nas aulas em música de palco de verdade. É muita gente movida pela mesma paixão.

 

Quais instrumentos fazem parte das oficinas?

Tamborim, chocalho, ganzá, surdo (1ª, 2ª e 3ª), repique, caixa e timbal. Cada um com um universo rítmico próprio e um professor especialista dedicado. O aluno escolhe seu instrumento e vai fundo — mas ao longo do caminho inevitavelmente começa a escutar todos os outros com outros ouvidos. É uma das magias do aprendizado coletivo em percussão.

Quais são os dias e horários das oficinas?

Toda terça-feira. Iniciante às 19h, Intermediário/Avançado às 20h30. Não é à toa que a gente diz: suas melhores terças começam aqui.

Onde acontecem as aulas?

Na Sala Espaço Verde, dentro da Fundição Progresso — Rua dos Arcos, 24, Lapa, Rio de Janeiro. Um espaço amplo, climatizado, com história e com alma. Quem conhece a Fundição já sabe que o lugar tem uma energia especial. A gente só adiciona os tambores — e aí fica impossível não se apaixonar.

Quais são os valores das oficinas? Os preços mudam a depender da oficina?

A mensalidade é R$ 250,00 para uma turma. Quem quiser fazer as duas turmas — ou experimentar um segundo instrumento — paga R$ 300,00. Um investimento que acreditamos ser muito justo pelo nível de ensino, pela estrutura, pelos professores e pelos 14 anos de experiência que estão em cada aula.

Há algum tipo de bolsa?

Acreditamos que o BQB é para todo mundo — e trabalhamos para que isso não seja só um discurso. Temos algumas vagas para bolsistas, analisadas caso a caso com muito carinho e critério. Quem tiver interesse pode entrar em contato diretamente pelo site ou Instagram e conversar com a gente. A percussão não pode ser privilégio de poucos.

Interessados em saber mais sobre as aulas, oficinas e outros projetos, qual é o melhor meio de contato com o Batuquebato?

O caminho mais rápido e direto é pelo WhatsApp: (21) 97182-6043 — é por lá que a gente conversa, tira dúvidas e te ajuda a encontrar o instrumento e a turma certos pra você.

Mas se quiser nos conhecer antes de chegar, a gente conta o dia a dia do BQB no Instagram, Facebook e TikTok — tudo em @batuquebato. No YouTube você encontra apresentações completas da ORB e registros dos últimos carnavais que valem muito a pena assistir. E no Spotify os nossos sambas-enredo e gravações da ORB estão todos lá, pra você já ir se apaixonando antes da primeira aula.

O site www.batuquebato.com.br também tem informações e links. A porta está aberta — e a terça-feira mais animada da sua semana está esperando por você.

Tem algum assunto que não abordamos nas perguntas que vocês gostariam de falar?

Gostaríamos de convidar todo mundo a conhecer o Batuquebato por inteiro — porque o que a gente faz é maior do que qualquer resposta consegue capturar.

Somos um ecossistema vivo. A escola forma músicos. Os músicos alimentam a ORB. A ORB leva para os palcos tudo que nasceu nas terças-feiras. O bloco de carnaval celebra nas ruas. O Bloco Show leva essa energia para eventos corporativos e particulares. A BoutiqueBato veste quem ama percussão. O Batuquebar reúne a comunidade. Tudo se conecta, tudo se alimenta, tudo faz parte de um mesmo pulso.

E por falar em palco — temos uma novidade que nos enche de emoção: em 2026 a ORB volta aos palcos. Depois de um período de reconstrução e amadurecimento, a Orquestra de Ritmos do Batuquebato retorna com tudo — repertório cheio de identidade e a mesma energia que já levou o BQB ao Circo Voador, à Sala Baden Powell, ao Teatro Municipal de Niterói e a palcos ao lado de Hamilton de Holanda, Robertinho Silva e Carlos Malta. Vai ser inesquecível. E quem quiser fazer parte dessa história — como músico, como aluno, como parceiro ou simplesmente como plateia apaixonada — é muito bem-vindo.

O BQB tem 14 anos de história e muitos mais pela frente. A gente toca, ensina, pesquisa, cria e celebra. Sempre juntos. Sempre com muito ritmo.