Bloco do MST leva mística, cultura popular e luta social para o Carnaval do Rio em 2026

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estreia em 2026 seu bloco de rua no Carnaval do Rio de Janeiro, levando para o espaço urbano símbolos, valores e práticas da Reforma Agrária Popular. A iniciativa propõe transformar o cortejo carnavalesco em instrumento de comunicação entre o campesinato organizado e a população da cidade. Com música, dança, mística e participação popular, o bloco articula cultura popular, política e celebração coletiva. A proposta dialoga com temas como soberania alimentar, agroecologia e organização popular. A iniciativa é conduzida por Shanawaara, dirigente estadual de Cultura do MST no Rio de Janeiro e coordenador do Bloco do MST.
Inspirado nas tradições populares e na vocação histórica do Carnaval Carioca, o Bloco do MST nasce como expressão cultural da luta dos povos do campo. O cortejo será dividido em diferentes momentos, incluindo a chamada orquestra de enxadas, fanfarra, bateria e banda, reunindo militantes e assentados da Reforma Agrária. A presença da mística, elemento central na organização do movimento, estrutura o bloco como experiência simbólica, artística e energética. Mais do que um desfile, o projeto propõe um encontro comunitário que une festa, identidade e enfrentamento social. Segundo Shanawaara, dirigente estadual de Cultura do MST RJ e coordenador do bloco, o Carnaval é um território estratégico para massificar ideias e fortalecer a luta popular. Confira, a seguir, mais detalhes sobre a estreia do bloco com o Shanawaara.
Como surgiu a ideia de criar um bloco de rua do MST no Rio e qual é o objetivo dessa iniciativa dentro do Carnaval Carioca?
O Bloco surge a partir da vocação carnavalesca original do Rio de Janeiro, um território guardião de tradições populares e místicas milenares.
O Bloco do MST é um instrumento da classe trabalhadora, colocando-se como uma ferramenta de comunicação entre o campesinato brasileiro organizado e a população urbana, propagando os valores da Reforma Agrária Popular.
Quais temas ou mensagens vocês pretendem destacar no cortejo? O bloco vai dialogar com pautas como reforma agrária, cultura popular e soberania alimentar?
O Bloco do MST é fruto do processo de Reforma Agrária Popular, e não tem como dissociarmos a existência e processo criativo do bloco, das ocupações de terra, da produção agroecológica, e da construção da nova mulher, novo homem e relações humanas.
Como está sendo pensado o estilo do bloco? Em relação ao ritmo predominante, a bateria, elementos carnavalescos e etc?
O bloco vai ter três momentos, o primeiro momento é a orquestra de enxada, que é um estilo, uma estética e uma metodologia utilizada pelo MST Minas Gerais com o bloco pisa ligeiro. Então essa orquestra de enxadas vai ser formada por assentados da reforma agrária, militantes do MST. Os ensaios acontecem nas cidades de Campos dos Goytacazes e Macaé, no norte fluminense, e também na baixada fluminense e na capital do Estado. Também vai ter orquestra de enxada na Praça Mauá e depois a gente sai pelo Boulevard Olímpico com a fanfarra e quando chegar na Praça da Harmonia vai ter a bateria,a banda e equipamento de som.
E tem uma coisa muito interessante que surgiu no bloco do MST é nossa ala de dança. Quando começamos debater, a gente entendeu que onde a gente queia chegar é em um processo de mística. Antes de começar uma reunião do MST a gente faz uma mística, que é uma encenação, aí trabalha com habilidades artísticas, tem a ver com as pastorais católicas que é a origem do MST. Então a arte no MST está intrinsecamente relacionada às místicas, o olhar dos povos sem terra eles já viu mais mística do que obras artísticas na vida dele, geralmente Estamos falando de um povo rural, interiorizado, muitos vindo de conduções na de miséria, escravidão. Mas a mística também é energia, então é uma boa reunião.
A gente vai fazer menos aula coreografada e mais encenações, representações místicas que trazem os nossos símbolos, nossa bandeira, que vai trazer terra, que vai trazer os alimentos… Então cada uma das músicas vai representar tudo isso de certa forma.
Que tipo de atmosfera o bloco quer criar nas ruas em 2026? Mais política, mais festiva, comunitária, familiar ou uma combinação de tudo isso?
O horizonte do MST é socialista, portanto colocamos nossas corpas ao enfrentamento das mazelas do capital, buscando na experiência carnavalesca, as tecnologias ancestrais de reprodução humana necessárias para massificar a luta e construir a Revolução Brasileira.
O que o público pode esperar no dia? Haverá ações participativas, distribuição de materiais informativos, faixas, performances outro outras formas de interação durante o cortejo?
No dia a gente vai vender e é muito importante a participação de todo mundo. Nosso kit do bloco do MST: camiseta, o boné e o copo. Então no dia vai ter muito importante que todo mundo nos ajude, porque esse vai ser o financiamento do bloco, esses produtos com uma logo maravilhosa, nossa logo que é o símbolo do MST com malandro e uma porta estandarte, a coisa mais linda. Então gostariamos de ver todo mundo contribuindo.